O Núcleo Memória realizou, nos dias 2, 8 e 18 de outubro, atividades do seu Programa de Visitas Mediadas ao antigo DOI-Codi/SP, que consiste em apresentar uma parte do que foi a sede da Operação Bandeirantes (Oban) e o Destacamento de Operações de Informação – Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-Codi) para o público interessado em conhecer mais sobre a história deste centro de repressão e bem patrimonializado de São Paulo.
No dia 2, alunos do 9º ano da Escola Santi, localizada bem próxima da 36ª DP da Vila Mariana, foram levados pelos professores Diego, de História, e Manoel, de Língua Portuguesa. A turma está fazendo um estudo sobre o período da ditadura e das memórias do período. “O trabalho do Núcleo Memória é muito importante para ajudar a alimentar o trabalho dos professores em sala de aula”, afirmou o professor Diego. Também estiveram presentes alunos da disciplina de Direito Internacional Penal e Justiça de Transição da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP), levados pelo monitor André. Além deles, participaram pessoas que se inscreveram pelo formulário disponibilizado nas redes sociais do NM. No total, 35 pessoas participaram da visita.
Na segunda visita de outubro, realizada no dia 8, estiveram presentes 40 alunos do segundo ano do Ensino Médio da Escola Estadual Parque Piratininga III, localizada na zona leste de São Paulo, levados pelos professores Natanael, da disciplina de História, e Roberta. Além deles, houve a participação de pessoas que se inscreveram para participar da atividade, totalizando o número de 46 pessoas presentes.
E, no dia 18, na terceira visita do mês, o grupo era bem diverso, já que ela foi realizada no sábado, dia da semana que é o mais concorrido. Participaram alunos do Cursinho Popular da Psicologia da USP, levados pelo professor Victor e outros. O restante do público era de pessoas espontâneas que se inscreveram pelo formulário. Contamos com a ilustre presença de Clóves, professor do Instituto Federal Catarinense, filho de um dos fundadores do Núcleo Memória e histórico militante: Clóves de Castro. Também esteve presente Pedro Quental, do Coletivo Filhos e Netos por Memória, Verdade e Justiça. No total, 38 pessoas participaram da visita.
A equipe do Núcleo Memória responsável pela mediação das três atividades no antigo DOI-Codi foi composta pelo diretor executivo e ex-preso político, Maurice Politi; o historiador e educador, César Novelli Rodrigues; a assistente administrativa, Viviane Cândido; e pelo assessor de comunicação da Agência Jacarandá, Othon Barros. A atriz, dramaturga e ex-presa política, Dulce Muniz, também participou da atividade, compartilhando com os presentes algumas de suas memórias dos dias vividos na Oban e no Deops, quando foi detida por agentes do regime militar.
Nesta atividade, são difundidas com o público informações sobre o trabalho desempenhado pelo Núcleo Memória ao longo dos seus 16 anos de atuação em defesa da democracia, dos direitos humanos e na busca por memória, verdade, justiça e reparação. Também é compartilhada uma contextualização histórica sobre o período da ditadura militar, sobre a formação da Operação Bandeirantes e sua transformação em um aparato do Estado, quando ela se torna o DOI-Codi. O grupo conhece as dependências externas (pátio) e internas (prédio) e, durante a mediação, muitos comentários, opiniões e questionamentos são realizados entre o grupo mediador e os visitantes.
Neste ano, o Núcleo Memória conta com o apoio de uma emenda parlamentar para a realização do Programa de Visitas Mediadas ao antigo DOI-Codi/SP. Firmado entre o Ministério dos Direitos Humanos e Cidadania (MDHC) e o Núcleo Memória (NM) por meio do Termo de Fomento nº 973112/2024, o apoio contempla também o fortalecimento da Rede Brasileira de Lugares de Memória (Rebralum), que visa à preservação da memória histórica, à educação em direitos humanos e à consolidação da democracia.
A próxima visita mediada acontecerá no dia 29 de outubro. As inscrições para participar do Programa de Visitas Mediadas ao antigo DOI-Codi/SP acontecem por meio do preenchimento do formulário de inscrições, disponibilizado alguns dias antes nas redes sociais do Núcleo Memória (@nucleomemoria).