Tombamento das instalações que formaram parte do DOI-CODI em São Paulo

Em 2010, Ivan Seixas, ex-preso político e então diretor do Núcleo Memória, apoiado por outras pessoas e entidades organizadas, fez o pedido de tombamento do edifício onde funcionou a Operação Bandeirantes (Oban) e o DOI-Codi de São Paulo junto ao Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado de São Paulo (Condephaat). Em 2014, o órgão decretou o tombamento do conjunto das edificações que compunham a Oban e DOI-Codi. A justificativa teve como base o valor histórico e social do espaço. Desde então, o Núcleo Memória e outras entidades que lutam por Direitos Humanos realizam anualmente um ato no dia 01 de abril (dia do golpe militar de 1964). A reivindicação é a transformação do lugar em memorial.

O edifício, que fica na Rua Tutóia, nº 921, é o endereço do terror em São Paulo. Ali funcionou a Operação Bandeirantes (Oban), centro clandestino criado pelo Exército em 1969, que tinha como objetivo centralizar informações sobre atividades políticas suspeitas e atuar na perseguição e repressão aos sujeitos considerados “subversivos” pelo Estado. Em 1970, o projeto tornou-se parte da política de segurança pública e passou a ser um órgão institucionalizado dentro da estrutura das Forças Armadas. Nesta fase foi denominado Destacamento de Operações de Informação – Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-Codi).

No DOI-Codi atuaram militares e civis em interrogatórios sistematicamente violentos, nos quais morreram dezenas de pessoas submetidas a torturas físicas e psicológicas. Os agentes dessas violações elaboravam falsos laudos e certidões de óbito para ocultar a verdadeira causa mortis dos presos.  O prédio é símbolo desse cenário de horror, está inserido, historicamente, neste contexto de graves violações aos direitos humanos no Brasil.

Hoje no local funciona a sede da 36ª Delegacia de Polícia da Vila Mariana, da Unidade de Gestão Executora, do almoxarifado do Departamento de Polícia Judiciária da Capital (Decap) e da Divisão de Administração do Departamento de Homicidios e de Proteção à Pessoa (DHPP). Sensibilizar estes órgãos de segurança e mobilizar a população do bairro são grandes desafios. Transformar as dependências do antigo DOI-Codi em memorial permitirá não só sua ressignificação, mas também a ampliação do conhecimento sobre o que foi a Ditadura no Brasil.

 

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