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NÚCLEO MEMÓRIA

Atividades núcleo memória |   Entrega do 3º Prêmio Memória e Resistência

O Núcleo Memória e o Memorial da Resistência de São Paulo realizaram a 3ª edição do Prêmio Memória e Resistência e fizeram a entrega aos agraciados no dia 13 de dezembro, no antigo DOI-Codi/SP. Neste ano, os homenageados foram Ilda Martins da Silva e Luiz Eduardo Greenhalgh.

A premiação, criada em 2023, reconhece a história de luta e resistência de pessoas que trabalharam por Memória, Verdade, Justiça e Reparação e que valorizam iniciativas favoráveis à promoção da cultura e da cidadania.

Junto à cerimônia de entrega, o Núcleo Memória realizou mais uma atividade do seu Programa de Visitas Mediadas ao antigo DOI-Codi/SP. Neste dia, 30 pessoas participaram da visita, que contou com a mediação do educador e historiador César Novelli Rodrigues, além dos testemunhos dos ex-presos políticos Maurice Politi e Dulce Muniz. Compuseram a equipe do Núcleo Memória também neste dia a assistente administrativa Viviane Cândido, os assessores de comunicação Juliana Victorino e Othon Barros e os voluntários Danilo Zelic, Beatriz Couto e Giuliana Zanin.

Conheça mais sobre os homenageados:

Ilda Martins da Silva nasceu em 30 de maio de 1931, na cidade de Lucianópolis, interior de São Paulo. Já na capital paulista, integrou o movimento da causa operária ainda na década de 1950, quando era trabalhadora da fábrica Nitro Química, na zona leste da cidade. Foi na luta que conheceu aquele que se tornaria seu companheiro, Virgílio Gomes da Silva. Após o casamento, em 1960, tiveram quatro filhos, e Ilda dedicou-se aos cuidados da família, mas continuou prestando apoio à militância de Virgílio e de outros companheiros. Em 1968, seu companheiro entra para a Ação Libertadora Nacional (ALN) e, no ano seguinte, é capturado por agentes da Operação Bandeirante (Oban). Levado para as dependências do centro clandestino de repressão, Virgílio é torturado até a morte e tem seu corpo desaparecido, sendo considerado o primeiro desaparecido político da ditadura militar. No dia seguinte ao sequestro do marido, Ilda é detida em São Sebastião, litoral norte de São Paulo, onde se encontrava com três de seus quatro filhos, Wladimir (8), Virgílio (7) e Maria Isabel (4 meses). Enquanto seus filhos foram levados ao Juizado de Menores, ela inicia seu período de cárcere na Oban, depois no Deops e, por último, no Presídio Tiradentes. Foi brutalmente torturada e ficou separada de seus filhos por nove meses. Após ser libertada, Ilda decide sair do Brasil com seus filhos e vive por 20 anos em Cuba, retornando ao país em 1991. Continuou a busca pelo companheiro sem jamais se render.

Luiz Eduardo Greenhalgh nasceu em 11 de abril de 1948, na cidade de São Paulo. Durante sua formação na Faculdade de Direito da USP, envolveu-se no movimento estudantil, integrando o Centro Acadêmico XI de Agosto. Após formado, em 1973, teve sua vida modificada quando o advogado Idibal Pivetta foi preso por defender presos políticos. Greenhalgh ofereceu apoio ao sócio de Idibal, Airton Soares, para ajudar na defesa, além de atender outros casos do escritório. Nesse período, começou a visitar os presos políticos no Presídio do Hipódromo e no Pavilhão 5 da Casa de Detenção. Ouvia relatos de tortura, de assassinatos e de desaparecimentos de companheiros, atrocidades que até então desconhecia. Meses depois, o amigo Idibal foi solto, e Greenhalgh nunca mais voltou ao escritório de seu pai. Encontrara seu caminho profissional. Entre os vários casos em que atuou, sempre destaca o processo da chamada Chacina da Lapa, em 1976, quando dirigentes do PC do B foram assassinados por agentes do DOI-Codi/SP e aqueles que sobreviveram foram torturados. Outro caso de destaque foi a defesa dos sindicalistas presos em 1980, entre eles o atual presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva. Greenhalgh fundou o Comitê Brasileiro pela Anistia (CBA), em 1976, coordenou o Projeto Brasil Nunca Mais entre 1979 e 1985, foi um dos fundadores do Partido dos Trabalhadores (PT), vice-prefeito de São Paulo na gestão de Luiza Erundina, de 1989 a 1992, e atuou como deputado federal por três mandatos. Sua trajetória reflete um compromisso inabalável com a justiça e a democracia.

Ilda foi a primeira a receber o prêmio, entregue pelas mãos da diretora técnica do Memorial da Resistência de São Paulo, Ana Pato. Um de seus filhos, Gregório, fez a fala de agradecimento pelo recebimento do prêmio e disse que a família está muito honrada com a homenagem à sua mãe ainda em vida. Em seguida, Luiz Eduardo Greenhalgh recebeu das mãos do diretor executivo do Núcleo Memória, Maurice Politi, o certificado com a honraria. Ele próprio fez um longo discurso de agradecimento, relembrando partes de sua trajetória.

Em 2025, o Núcleo Memória conta com o apoio de uma emenda parlamentar para a realização do Programa de Visitas Mediadas ao antigo DOI-Codi/SP. Firmado entre o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC) e o Núcleo Memória (NM), por meio do Termo de Fomento nº 973112/2024, o apoio contempla também o fortalecimento da Rede Brasileira de Lugares de Memória (Rebralum), que visa à preservação da memória histórica, à educação em direitos humanos e à consolidação da democracia.

Em breve, o Núcleo Memória disponibilizará um vídeo em que foram registradas algumas das falas dos agraciados pelo prêmio. Para ver algumas fotos deste dia, clique aqui.

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