Como educar sobre Direitos Humanos dentro e fora dos espaços públicos? Os educadores Prof. Me. Renan Beltrame, professor na rede municipal de ensino, e o Prof. César Novelli Rodrigues, historiador e educador do Núcleo Memória e pesquisador do Memorial da Luta pela Justiça, apresentam formas de estimular a inserção da sociedade civil na História na aula “Potenciais da Educação em e para os Direitos Humanos no Brasil a partir de Lugares de Memória”.
A educação parte do conceito de “nunca mais”, fortalecido especialmente após a Segunda Guerra, com o genocídio judeu nos campos de concentração de Auschwitz, na Alemanha nazista. Esse conceito consiste na ideia de abordar temas que estimulem a reflexão e a compreensão social de modo a não reproduzir o passado, especialmente no que se refere a Estados autoritários.
Nesse sentido, os professores apresentam três lugares de memória que reforçam e praticam a educação em e para os Direitos Humanos, trabalhados pelo Núcleo Memória. São eles:
Memorial da Resistência de São Paulo, antigo DEOPS (Departamento Estadual de Ordem Política e Social), construído em 1914 pelo escritório Ramos de Azevedo e utilizado de 1940 a 1983 como sede de prisão para comunistas, sindicalistas, anarquistas e qualquer pessoa que se contrapusesse ao sistema vigente. O espaço foi tombado em 1999 por suas características arquitetônicas. Após ser ocupado pelo Estado e transferido para a Secretaria de Cultura, desde 2009 o Memorial da Resistência atua não apenas com a ação museológica da história do espaço, mas também promove atividades educativas e culturais, como cursos, rodas de conversa e visitas educativas.
Memorial da Luta pela Justiça, antiga Auditoria Militar, ocupado em 1938 como sede para julgar casos que envolviam militares e que, durante a ditadura, também passou a julgar pessoas processadas pela Lei de Segurança Nacional. Desde 2013, o espaço tem sido palco de ações em favor do direito à memória, e seu patrimônio foi cedido à OAB-SP (Ordem dos Advogados do Brasil em São Paulo) e ao Núcleo Memória. Hoje o espaço está fechado para reformas e, posteriormente, para a implementação do novo projeto museográfico.
Memorial DOI-Codi (Destacamento de Operações de Informação – Centro de Operações de Defesa Interna), que compartilha espaço com a 36ª Delegacia de Polícia na Rua Tutóia, e foi o local com maior número de pessoas mortas durante a ditadura militar, ficando atrás apenas da Guerrilha do Araguaia. Entre 1969 e 1982, o sobrado abrigou uma estrutura organizada de repressão. Segundo a Comissão Nacional da Verdade, 52 pessoas foram mortas pela organização paulista. Hoje, o Núcleo Memória realiza visitas mediadas e, em parceria com outras instituições, conduz pesquisas que contribuem para novas descobertas.
Essas são maneiras de traçar estratégias pedagógicas e diversificadas para todos os públicos e conectá-los ao passado, ao presente e ao futuro.