O Núcleo Memória iniciou o seu programa de visitas ao antigo DOI-Codi em 2026, realizando uma atividade no dia 17 de janeiro. Ele já começou de forma muito especial, uma vez que, neste mesmo dia, completaram-se 50 anos do assassinato do operário metalúrgico Manoel Fiel Filho, ocorrido nas dependências do DOI-Codi do II Exército no ano de 1976. O casal de jornalistas e editores do portal Tutaméia, Eleonora de Lucena e Rodolfo de Lucena, foram os convidados especiais deste dia.
A visita contou com a participação de 47 pessoas, que se inscreveram por meio do formulário disponibilizado no perfil do Núcleo Memória no Instagram. Em sua maioria, o público era oriundo de São Paulo, mas também participaram pessoas de Brasília, do Rio Grande do Norte e de Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, demonstrando o alto grau de interesse que essa atividade possui. Um dos participantes do Rio Grande do Norte presenteou a atividade com um livro com as memórias da brilhante advogada de presos políticos, Mércia Albuquerque Ferreira, para ser sorteado entre os presentes. O Núcleo Memória sempre realiza, ao término da visita, o sorteio do livro “Resistências atrás das grades”, de seu diretor executivo e ex-preso político, Maurice Politi.
A equipe do Núcleo Memória responsável pela atividade neste dia foi composta pelo historiador e educador César Novelli Rodrigues, pela assistente administrativa Viviane Cândido, pelo assessor de comunicação Othon Barros, pelo articulador de projetos e produtor Gabriel Vighy e pelo diretor executivo Maurice Politi.
Em sua fala, Rodolfo apresentou uma breve biografia de Manoel Fiel Filho, abordando desde seu nascimento e vinda para São Paulo, passando por sua vida profissional como operário na Metal Arte, até sua detenção, seguida de assassinato, nas dependências do DOI-Codi/SP. Rodolfo também falou do projeto jornalístico-esportivo que criou e realizou em 2016 em homenagem ao operário, intitulado “Corrida por Manoel”. À época, haviam se passado 40 anos do assassinato de Manoel, e Rodolfo realizou 40 percursos em lugares de memória e emblemáticos tanto da vida do operário quanto de outros acontecimentos simbólicos da ditadura militar. Ao término de sua fala, Rodolfo bradou “Manoel Fiel Filho, presente”, sendo muito aplaudido pelo público participante.
Após a primeira parte, que também contou com uma apresentação sobre os trabalhos que a entidade realiza e uma contextualização histórica sobre a Operação Bandeirante (Oban) e o Destacamento de Operações de Informações Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-Codi) do II Exército, os participantes puderam conhecer o pátio interno do complexo e um dos prédios utilizados para interrogatórios, tortura e assassinatos de militantes e de outras pessoas que foram levadas para o centro de repressão.
Durante o ano de 2025 e no começo deste ano, o Núcleo Memória contou com o apoio de uma emenda parlamentar para a realização do Programa de Visitas Mediadas ao antigo DOI-Codi/SP. Por meio do Termo de Fomento nº 973112/2024, firmou-se a parceria entre a entidade e o Ministério dos Direitos Humanos e Cidadania (MDHC) para o programa de visitas, que também contempla o fortalecimento da Rede Brasileira de Lugares de Memória (Rebralum), visando à preservação da memória histórica, à educação em direitos humanos e à consolidação da democracia.
A próxima visita mediada ao antigo DOI-Codi/SP será realizada no dia 28 de janeiro. É possível visualizar todas as datas programadas para o ano de 2026 em nossa agenda, localizada no site do Núcleo Memória.
Para ver os registros desta visita mediada, clique aqui.