No dia 12 de novembro, em uma manhã de quarta-feira ensolarada na cidade de São Paulo, o Núcleo Memória realizou mais uma atividade do seu Programa de Visitas Mediadas ao antigo DOI-Codi/SP. Dessa vez estiveram presentes 38 pessoas, em sua maioria alunos do curso de Direito da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), levados pela professora Carla Osmo.
O público presente pôde conhecer mais sobre o funcionamento e as entranhas do famigerado Destacamento de Operações de Informação – Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-Codi) e de seu antecessor, a Operação Bandeirante (Oban), que funcionaram em conjunto com a delegacia de polícia de 1969 a 1982. Segundo estimativas, de 8 a 10 mil pessoas teriam sido levadas para este centro clandestino, onde mais de cinquenta pessoas foram assassinadas.
Além da contextualização histórica compartilhada, o grupo teve a oportunidade de ouvir memórias de pessoas que passaram pelo local e sobreviveram. Os ex-presos políticos Maurice Politi e Dulce Muniz contaram sobre os dias difíceis que vivenciaram nas dependências da Oban no ano de 1970. Depois puderam conhecer as dependências do prédio de dois andares em que ocorreram boa parte dos interrogatórios seguidos de tortura.
O educador e historiador do Núcleo Memória, César Novelli Rodrigues, disse que, apesar de ser uma visita extremamente difícil de ser feita, ela é necessária para a compreensão de como um Estado autoritário age. Acrescentou que ninguém sai dessa visita como entrou, pois todos são tocados após conhecer este sítio de consciência.
Além de Maurice, Dulce e César, a equipe do Núcleo Memória foi composta neste dia pela assistente administrativa Viviane Cândido e pelo assessor de comunicação Othon Barros.
Em 2025, o Núcleo Memória conta com o apoio de uma emenda parlamentar para a realização do Programa de Visitas Mediadas ao antigo DOI-Codi/SP. Firmado entre o Ministério dos Direitos Humanos e Cidadania (MDHC) e o Núcleo Memória (NM) por meio do Termo de Fomento nº 973112/2024, o apoio contempla também o fortalecimento da Rede Brasileira de Lugares de Memória (Rebralum), que visa à preservação da memória histórica, à educação em direitos humanos e à consolidação da democracia.
Para ver o álbum de fotos desta visita, clique aqui.