No último sábado, 1º, no Arquivo Histórico Municipal de São Paulo, o Núcleo Memória iniciou o curso “Lugares de memória e direitos humanos no Brasil. Esta atividade formativa, oferecida desde 2013, visa aprofundar a discussão sobre a Ditadura Civil-Militar (1964–1985) e os desafios políticos atuais, promovendo uma reflexão sobre a importância pedagógica dos lugares de memória e o avanço de pautas sociais. O curso contará nove aulas presenciais, sendo uma delas visita mediada ao antigo DOI-Codi/SP.
O ministrante da primeira parte do dia foi o Prof. Dr. Marcos Napolitano, historiador da Universidade de São Paulo (USP). O tema da aula foi “Ditadura civil ou militar? Do golpe de Estado à gênese do regime” e reuniu educadores e pesquisadores.
Napolitano apresentou o contexto que antecedeu o golpe de 1964, destacando as crises políticas entre os governos de Vargas e João Goulart, a instabilidade institucional e a crescente polarização ideológica do período. O professor analisou o governo de Jango, marcado pela tentativa de retomar o desenvolvimento nacional e implementar as Reformas de Base, como a agrária e a econômica, mas que enfrentou forte resistência política e militar, agravando o clima de tensão.
Nesse cenário, a insatisfação de diversos setores da sociedade, da classe média aos conservadores, empresários, militares e parte da imprensa, se articulou em uma coalizão golpista, apoiada também pelos Estados Unidos. O movimento culminou na deposição de Goulart e na ascensão de Castello Branco à presidência, inaugurando um regime militar que duraria 21 anos. Por fim, Napolitano destacou as principais características desse período: centralização do poder nas Forças Armadas, repressão política, censura, desaparecimentos forçados e a imposição de uma ideologia de segurança nacional que silenciou a sociedade civil.