O que quer dizer “lugar de memória” e quais suas experiências no território brasileiro? A sexta aula do curso contou com a participação de Ma. Julia Gumieri, historiadora e doutoranda no GT DOI-CODI, que destacou como esse conceito, formulado pelo francês Pierre Nora, se relaciona diretamente com a preservação e a representação de uma sociedade. “A memória é um documento histórico”, afirma Gumieri.
Pesquisadora por mais de dez anos no Memorial da Resistência, antiga sede do DOPS na ditadura, ela explica como a ideia de memória integra a chamada “justiça de transição”, ou seja, mecanismos para que governos lidem com as violências de períodos anteriores, incluindo punições, reparações financeiras e a atuação das Comissões da Verdade.
Gumieri propõe aos alunos um exercício de exploração dos lugares de memória, que não se restringem a espaços físicos, conforme já discutido na quarta aula com o professor Flávio Bastos. Entre os exemplos apresentados estavam dados sobre centros de assistência à população LGBT+ e mapeamentos realizados a partir da escuta de indígenas, negros e trabalhadores de várias regiões do País. A pesquisadora reforça: “A cidade pode contar outra história sobre ela mesma e esse deve ser um compromisso do Estado brasileiro e não de determinados governos presidenciais”.
Embora o Plano Nacional dos Direitos Humanos tenha avançado nessa direção, a historiadora ressalta que esse é um trabalho que precisa ser lembrado coletivamente, já que a memória integra o conhecimento. Assim como na aula da manhã, destacou-se a importância da mediação educativa: “Sozinhos, os espaços não falam”, ressalta Gumieri.