No último sábado, dia 4 de outubro, o Núcleo Memória realizou mais uma tarde de programação educativa e cultural na mostra Ausências Brasil. A exposição fica em cartaz até o dia 8 de outubro no Arquivo Histórico Municipal, no bairro do Bom Retiro, em São Paulo. O grupo que participou das atividades era composto por estudantes do ensino básico e universitário, professores, educadores e interessados em geral.
As atividades começaram às 15h, com uma visita educativa mediada pelo historiador e educador do Núcleo Memória, César Novelli Rodrigues. Após uma breve contextualização sobre o papel do Núcleo Memória como entidade difusora das memórias da ditadura militar e de seu trabalho em educação para os Direitos Humanos, o educador indagou o público sobre o significado do título da exposição. Ao abordar a temática da “ausência”, foi possível elaborar uma reflexão conjunta sobre as pessoas de quem sentimos falta hoje em dia — e o quão sofrível é, para familiares, a ausência de entes que não se foram por vontade própria, mas que foram desaparecidos propositalmente por um Estado opressor.
Também foi abordada, durante a visita, a autoria das fotos do fotógrafo argentino Gustavo Germano e a sensibilidade com que conduziu o projeto, iniciado em 2009, na Argentina. Após conhecerem a exposição, os participantes foram conduzidos à sala preparada pela equipe de pesquisa do Arquivo Histórico Municipal, que apresentava algumas fichas com nomes de ruas que homenageiam pessoas que lutaram contra a ditadura. Ali, o grupo discutiu sobre as disputas em torno da memória.
Em seguida, às 16h, aconteceu a roda de conversa com o ex-preso político e diretor executivo do Núcleo Memória, Maurice Politi. Na conversa, foi possível conhecer mais sobre o contexto histórico da formação da ditadura e de seu endurecimento com os Atos Institucionais. Politi também falou e respondeu a questionamentos sobre sua própria vivência no período, quando permaneceu preso por quatro anos após ser condenado pela Auditoria Militar.
Por fim, o público assistiu ao filme O Dia que Durou 21 Anos, seguido de um debate com o cineasta Camilo Tavares. Durante a conversa, o público fez questionamentos sobre as técnicas de cinema empregadas, a roteirização do documentário, as estratégias utilizadas pelo entrevistador — o jornalista Flávio Tavares, pai de Camilo — ao dialogar com pessoas que participaram ativamente do regime militar, entre outras curiosidades. O educador César perguntou a três jovens que assistiram ao filme se a obra havia contribuído para ampliar seu conhecimento sobre o período, e a resposta foi positiva. “Em sala de aula nós não temos a oportunidade de assistir a documentários tão completos como esse, e ter participado desta tarde de discussões tão ricas nos ajuda a compreender melhor esse passado”, disse uma delas.
A exposição segue até o dia 8 de outubro no Arquivo Histórico Municipal e, depois, vai para Campinas, onde será exibida na Unicamp entre os dias 7 de novembro e 10 de janeiro de 2026.