novembro/25

Editorial

A principal notícia do mês, sem dúvida nenhuma, foi a do encarceramento definitivo dos indiciados no Núcleo 1 que tentaram dar um golpe de Estado no dia 8 de janeiro de 2023. Ao decidir que o processo não aceitaria mais recursos, ele passou a ter trânsito em julgado, ou seja, a condenação se tornou definitiva e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, determinou o início do cumprimento das penas às quais os golpistas tinham sido condenados em setembro.

Por decisão de Moraes, o ex-presidente Bolsonaro, que já tinha sido transferido para uma cela especial na Polícia Federal no sábado, dia 22 de novembro, por haver tentado danificar a tornozeleira eletrônica, deverá cumprir, em regime inicial fechado, a pena de 27 anos e 3 meses de prisão, que se iniciou na segunda-feira, dia 24.

Os demais condenados do Núcleo 1 no processo da trama golpista também tiveram a prisão definitiva decretada, sendo os condenados encaminhados para cumprimento de suas sentenças em unidades militares, com exceção do deputado federal Alexandre Ramagem, ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), condenado a 16 anos de prisão, que fugiu para os Estados Unidos e está agora sujeito ao pedido de extradição a ser encaminhado.

Esta onda de prisões abre um ciclo inédito de condenações de autoridades com altas patentes militares, evidenciando o fim da era de impunidade que marcou a história do nosso país e um passo decisivo na defesa da democracia.
Embora Bolsonaro e seus apoiadores se digam vítimas de uma “ditadura de toga”, não escapa a ninguém que conheça minimamente a história que, enquanto eles ficarão em celas privativas com todo o conforto, os que foram presos e seviciados no tempo da ditadura militar, louvada por esses condenados, sofreram torturas, angústias, dores e até assassinatos e desaparecimento.

Em outra notícia relevante este mês, é importante sinalizar os debates que aconteceram na cidade de Belém, como anfitriões que fomos da COP 30. Os negociadores, representando mais de 170 países, discutiram com veemência sobre as mudanças climáticas e a necessidade de formular propostas para manter o aumento da temperatura global abaixo de 1,5 ºC. Com uma forte presença de entidades da sociedade civil, assim como representantes dos povos originários, habitantes quase todos da Amazônia, o encontro se destacou por exaustivos debates e discussões. Embora a conferência tenha terminado sem um “mapa de caminho” para a transição de combustíveis fósseis, o documento final aprovado avançou sobre as formas de financiamento climático e um acordo para quadruplicar a produção de combustíveis sustentáveis.

Lamentável foi ver que, apenas uma semana depois, o Congresso derrubou 56 dos 63 vetos do presidente Lula ao chamado PL da devastação e alterou artigos relacionados com o licenciamento ambiental e a redução dos mecanismos de consulta aos povos originários. Esta derrubada de vetos mostrou a influência enorme dos parlamentares ligados ao agronegócio e é o resultado de um período de tensão entre o Governo e o Congresso.

Esta tensão existente, não só na vida política, mas também na sociedade depois das prisões decretadas, mostra ao país que a disputa para as eleições em 2026 efetivamente já começou. Daí a importância do trabalho nosso e de outras entidades similares na difusão dos valores democráticos, posicionando-se, sem hesitar, pela Memória Política, Verdade, Justiça e Reparação, com o objetivo principal de ajudar uma cidadania consciente e participativa.

As nossas atividades neste mês, relatadas neste Boletim, são a evidência de nosso posicionamento nos valores que acreditamos: somente conhecendo o passado entenderemos o presente e construiremos um futuro que seja de valores perenes em prol dos Direitos Humanos.

Boa leitura!

 
 
ATIVIDADES EDUCATIVAS-CULTURAIS
 
  Homenagem a Marighella e Clara Charf marca 56 anos do assassinato e emociona militantes

No dia 4 de novembro, o Núcleo Memória esteve presente no ato que marcou os 56 anos do assassinato de Carlos Marighella, reunindo familiares, antigos companheiros de luta e jovens militantes em uma homenagem marcada por emoção, memória e reafirmação do “Sem Anistia”. Clique aqui...

 
  Curso “Lugares e Memória e Direitos Humanos no Brasil 2025” - Aula 1

No dia 1º de fevereiro, o Núcleo Memória deu início ao curso “Lugares de memória e direitos humanos no Brasil” no Arquivo Histórico Municipal, com uma aula inaugural do Prof. Marcos Napolitano sobre as origens da ditadura e os desafios políticos do período. Clique aqui...

 
  Curso Lugares e Memória e Direitos Humanos no Brasil 2025 - Aula 2

No dia 1º de novembro, Maurice Politi ministrou a aula “Estruturação e operação do aparato repressivo”, aprofundando o funcionamento da rede de vigilância, censura e tortura da ditadura no curso “Lugares de Memória e Direitos Humanos no Brasil”. Clique aqui...

 
  Curso Lugares de memória e Direitos Humanos no Brasil 2025 - Aula 3

Na terceira aula do curso “Lugares de Memória e Direitos Humanos no Brasil”, o pesquisador Oswaldo Oliveira apresentou um panorama das resistências políticas no país, destacando como diferentes lutas,  das rebeliões negras à oposição à ditadura, moldaram a defesa da democracia e dos direitos humanos. Clique aqui...

 
  Curso Lugares de memória e Direitos Humanos no Brasil 2025 - Aula 4

O Prof. Dr. Flávio Bastos discutiu o direito à memória coletiva e a importância dos lugares de memória, destacando como símbolos preservados, de campos de concentração a marcos da escravidão e da repressão, são fundamentais para compreender o passado e orientar o futuro. Clique aqui...

 
  Curso Lugares de memória e Direitos Humanos no Brasil - Aula 5

No sábado, 15, a quinta aula do curso abordou o papel dos arquivos como lugares de memória. O Prof. Dr. Jean Camoleze e o educador Mario Rezende discutiram a relação entre documentos, História e sociedade, destacando a função pública dos arquivos e sua importância para compreender processos geracionais e lacunas de representação. Clique aqui...

 
  Curso Lugares de memória e Direitos Humanos no Brasil - Aula 6

Na sexta aula do curso, a historiadora Julia Gumieri discutiu o conceito de “lugar de memória”, destacando sua relação com justiça de transição e com a construção coletiva do conhecimento. A partir de sua experiência no Memorial da Resistência, apresentou exemplos brasileiros de mapeamentos e práticas de memória, reforçando que cabe ao Estado garantir que esses espaços, físicos ou simbólicos, contem outras histórias possíveis sobre o País. Clique aqui...

 
  Curso Lugares de memória e Direitos Humanos no Brasil - Aula 7

Saiba como a aula “Democracia brasileira e suas fragilidades”, conduzida por Eugênia Gonzaga, examinou o papel do Estado diante dos crimes da ditadura e as barreiras para responsabilizar seus agentes. Clique aqui...

 
  Curso Lugares de memória e Direitos Humanos no Brasil - Aula 8

Ministrada por César Novelli Rodrigues e Renan Beltrame, a última aula do curso discutiu estratégias de educação para os Direitos Humanos em diferentes espaços, guiada por importantes referências da memória brasileira. Clique aqui...

  Exposição Ausências Brasil é inaugurada na BORA – Unicamp

No dia 7 de novembro, foi inaugurada na Unicamp a exposição Ausências Brasil, com visita mediada, roda de conversa com ex-presos políticos e atividades formativas que abriram um amplo diálogo sobre memória, ditadura e democracia. Clique aqui...

  Visita Mediada Especial: Vlado, 50 anos por Memória

No final de outubro, o Núcleo Memória realizou, em parceria com a Museando Clio, a “Visita Mediada Especial: Vlado, 50 anos por Memória”, reunindo 35 participantes para uma manhã de reflexão, história e homenagem a Vladimir Herzog no antigo DOI-Codi/SP. Clique aqui...

  Programa de Visitas mediadas ao antigo DOI-Codi/SP: 03 de novembro de 2025

No dia 3 de novembro, o Núcleo Memória realizou mais uma visita mediada ao antigo DOI-Codi/SP, reunindo 51 participantes, entre estudantes e inscritos espontâneos, para uma experiência de memória, testemunhos e diálogo com a equipe responsável pelas pesquisas arqueológicas no local. Clique aqui...

  Programa de Visitas mediadas ao antigo DOI-Codi/SP: 12 de novembro de 2025

No dia 12 de novembro, o Núcleo Memória realizou uma visita mediada ao antigo DOI-Codi/SP, reunindo 38 participantes, em sua maioria alunos de Direito da UNIFESP, para uma manhã de memória, história e reflexão sobre a violência de Estado e seus impactos no presente. Clique aqui...

  Programa de Visitas mediadas ao antigo DOI-Codi/SP: 19 de novembro de 2025

No dia 19 de novembro, estudantes da Emef Henfil e outros inscritos participaram de uma manhã de aprendizado, memória e reflexão sobre a ditadura e seus ecos no presente. Clique aqui...

  Programa de Visitas mediadas ao antigo DOI-Codi/SP: 22 de novembro de 2025

O Núcleo Memória reuniu 47 participantes em uma manhã de reflexões sobre a história da repressão, a resistência e os desafios da memória na democracia. Clique aqui...

  Roda de Conversa no Cursinho Popular da Psicologia da USP

No dia 25 de novembro, o Núcleo Memória participou de uma roda de conversa no Cursinho Popular da Psicologia da USP, reunindo cerca de 50 alunos para um diálogo sobre memória, ditadura e democracia, com a presença de dois ex-presos políticos. Clique aqui...

  Resistência dos povos indígenas é tema do último Sábado Resistente de 2025

Leia o resumo da última edição do Sábado Resistente de 2025, que trouxe reflexões urgentes sobre memória indígena e justiça histórica. Clique aqui...

 
Próximas Atividades
 

 
Programa de Visita Mediada ao antigo DOI-Codi/SP
13/12 às 10h
Local: Rua Tutóia, 921

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