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NÚCLEO MEMÓRIA

Atividades núcleo memória |   Democracia em crise abre a programação dos Sábados Resistentes em 2026

Primeiro Sábado Resistente de 2026 teve como convidadas Tessa de Moura Lacerda e Carolline Sardá.

No último dia 7 de março, foi realizada a primeira edição de 2026 dos Sábados Resistentes, com o tema “Democracia em crise”, no auditório do Memorial da Resistência de São Paulo. Neste ano, o ciclo tem como eixo “Democracia: temas emergentes da contemporaneidade”, propondo reflexões sobre os desafios que atravessam as democracias no presente.

A abertura contou com a saudação de Ana Pato, diretora técnica do Memorial da Resistência, e de Maurice Politi, diretor executivo do Núcleo Memória. Em suas falas, destacaram a importância de promover debates como os Sábados Resistentes e ocupar os espaços públicos com reflexões que articulem o passado e o presente.

A mesa foi mediada por Lígia de Souza Cerqueira, conselheira do Núcleo Memória. Na abertura do debate, Lígia pautou a discussão a partir de questionamentos sobre o papel das big techs no cenário político contemporâneo. Em sua intervenção, Tessa de Moura Lacerda, professora de Filosofia na Universidade de São Paulo (USP), destacou a proximidade entre grandes empresários do setor tecnológico e figuras como Donald Trump, presidente dos Estados Unidos. Segundo a filósofa, essa articulação evidencia os desafios para disputar esses espaços de comunicação e enfrentar a disseminação de narrativas falsas e violentas.

Na mesma direção, a comunicadora Carolline Sardá, discutiu o que denominou de “colonialismo digital”, caracterizado pelo controle das plataformas por um pequeno grupo de bilionários. Em sua análise, esse cenário possibilita a ampla circulação de discursos de ódio, enquanto grupos políticos e ativistas de oposição enfrentam censura e perseguições nas próprias plataformas.

Em um segundo momento, Tessa trouxe reflexões sobre a presença histórica das Forças Armadas na política brasileira, discutindo a permanência de uma tutela militar sobre a democracia. Para a professora, esse legado histórico, combinado às novas dinâmicas de comunicação digital, favorece a circulação de narrativas que romantizam ou relativizam a ditadura militar, abrindo espaço para setores reacionários na política institucional.

Carolline também analisou o avanço da extrema-direita no Brasil, apontando sua capacidade de pautar o debate público a partir de seu projeto de poder. Como exemplo, mencionou a situação de Santa Catarina, onde esses setores têm avançado sobre direitos e perseguido lideranças políticas. Nesse contexto, destacou uma correlação entre o discurso “anti-feminista” e os altos índices de feminicídio e de descumprimento de medidas protetivas contra a violência de gênero.

O público presente participou ativamente da atividade, com perguntas e intervenções ao longo do debate e também em conversas com as convidadas após o encerramento da mesa. A atividade contou ainda com a presença de figuras históricas da luta contra a ditadura, como José Genoíno e Ivan Seixas, um dos fundadores do Núcleo Memória.

A próxima edição do Sábado Resistente acontece em 11 de abril, com o tema “Democracia sob tutela: entre o Judiciário e as Forças Armadas”, dando continuidade ao debate sobre os impasses e desafios da democracia na atualidade.


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