O Núcleo Memória participou da 844ª Reunião Ordinária do Conpresp (Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo), realizada em 25 de maio, ao lado de defensores da preservação de um importante lugar de memória da ditadura militar em São Paulo: o antigo Presídio do Hipódromo.
Na ocasião, o historiador e educador César Novelli Rodrigues representou o Núcleo Memória na reunião, ao lado do jornalista Sérgio Barbo; do ex-preso político e presidente da Comissão da Verdade do Estado de São Paulo, Adriano Diogo; e do militante cultural, sambista e produtor paulistano César Pivetta (Cesinha). Em suas falas, destacaram a importância de o Conselho apreciar, em regime de urgência, o pedido de abertura de estudo para o tombamento do local, diante do risco iminente de desaparecimento do imóvel.
Também estiveram presentes importantes militantes dos direitos humanos, entre eles a ex-presa política e militante feminista Amelinha Telles; o radialista, político e ativista social ítalo-brasileiro José Luiz Del Roio; e a procuradora-geral do Estado, advogada de presos políticos e conselheira do Núcleo Memória, Maria Luiza Bierrenbach.
Embora a preservação do antigo Presídio do Hipódromo não estivesse na pauta da reunião, a notícia da iminente destruição do imóvel tem mobilizado diversos setores da sociedade civil. O grupo presente representava diferentes vozes comprometidas com a preservação do espaço e de sua memória histórica. No entanto, após as manifestações em defesa do estudo de tombamento, os conselheiros deram continuidade à reunião sem indicar que o pedido seria analisado em caráter de urgência.
Saiba mais
Desde o ano passado, circula um abaixo-assinado em defesa da preservação do antigo Presídio do Hipódromo. Intitulada Memória Não Se Vende, a iniciativa reúne apoiadores contrários à destruição do local. Abaixo, reproduzimos um trecho do documento:
“Entre outubro de 2024 e junho de 2025, foi iniciado e concluído o processo de venda, por parte do Governo de São Paulo, do terreno do antigo Presídio do Hipódromo, território histórico da cidade de São Paulo e da própria nação pelo fato do seu uso como equipamento de aprisionamento, de tortura e de violações a Direitos Humanos cometidos pela Ditadura Civil-Militar contra militantes antagônicos ao regime.
Pelas cruéis celas desse cárcere passaram centenas de presos políticos, mas não só, também presos comuns, alvos habituais de diversas violações. Entre os alvos da perseguição política aprisionados no Hipódromo constam os ex-deputados José Genoino e Adriano Diogo, bem como os ex-ministros Nilmário Miranda e Eleonora Menicucci. Diante do sadismo autoritário daqueles que dirigiam as instalações e, inclusive, montavam e operacionalizavam esquadrões da morte, até mesmo Rita Lee, grávida, foi aprisionada ali.
O Presídio do Hipódromo é reconhecido pelo Memorial da Resistência como ‘Aparato Repressivo – Presídio Político’ e, após 1972, tornou-se destino de perseguidos políticos da Ditadura. Ali, presos políticos e comuns — entre eles prostitutas e travestis, também alvos preferenciais da repressão — sofreram com superlotação, fome, torturas, violências sexuais e a brutalidade de um Estado que tentou calar a dissidência e higienizar os indesejáveis. É um lugar de memória, e é por isso que não pode ser apagado.”
O Núcleo Memória, entidade integrante de redes dedicadas à preservação e transformação de lugares de memória em espaços voltados à educação em direitos humanos — como a International Coalition of Sites of Conscience (ICSC), a Red de Sitios de Memoria Latinoamericanos y Caribeños (Reslac) e a Rede Brasileira de Lugares de Memória (Rebralum), da qual é uma das organizações fundadoras — manifesta-se de forma contrária ao projeto que prevê a destruição de mais um importante lugar de memória da história brasileira.
Para assistir à participação do Núcleo Memória e das demais pessoas que defenderam a preservação do antigo Presídio do Hipódromo durante a reunião, clique aqui..