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NÚCLEO MEMÓRIA

Atividades núcleo memória |   Programa de Visitas Mediadas ao antigo DOI-Codi/SP: 28 de abril de 2026

O Núcleo Memória recebeu, em uma visita mediada ao antigo DOI-Codi/SP, na tarde de terça-feira, dia 28 de abril, um grupo de juízes recém-empossados que atuarão nos estados de São Paulo e Mato Grosso do Sul pelo Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF-3).

O grupo, formado por 38 pessoas, foi acompanhado pela desembargadora federal e coordenadora acadêmica da Escola de Magistrados (EMAG), dra. Renata Lotufo, e pela juíza federal dra. Marcia Hoffmann. Segundo as normas que regem a parte educacional da magistratura, os juízes são obrigados a realizar um curso inicial de 480 horas, cujo conteúdo programático inclui aulas sobre Direitos Humanos.

A visita iniciou com a apresentação dos trabalhos exercidos pelo Núcleo Memória. O historiador e educador da entidade, César Novelli Rodrigues, apresentou ao grupo um resumo das atividades desempenhadas ao longo dos 16 anos de existência. O educador pontuou que, desde o seu início, o Núcleo Memória trabalha com a incidência política em lugares de memória vinculados à ditadura militar. Além da visita mediada ao antigo DOI-Codi, também informou aos presentes o trabalho de constituição do Memorial da Luta pela Justiça, projeto em que o Núcleo atua junto com a Ordem dos Advogados do Brasil – Seção São Paulo (OAB-SP) e com o Ministério dos Direitos Humanos e Cidadania (MDHC).

Em seguida, a palavra foi passada para o convidado especial, dr. Flávio de Leão Bastos Pereira, que, além de advogado e professor de Direito Constitucional e Direitos Humanos da Universidade Mackenzie, é membro do Conselho Fiscal do Núcleo Memória. Em sua fala, Flávio deu as boas-vindas e os parabéns ao grupo por terem se tornado juízes. O professor também falou um pouco de sua relação com o Núcleo Memória, onde representa a entidade no processo movido pelo Ministério Público de São Paulo contra o Governo do Estado, na ação que pede que o Estado preserve de maneira digna o complexo do antigo DOI-Codi/SP, além de transformá-lo em um memorial voltado aos Direitos Humanos. Flávio também mencionou a aula que ministra no curso anual do Núcleo, “Lugares de Memória e Direitos Humanos no Brasil”, destacando a intensa procura pela atividade, inclusive por pessoas de fora de São Paulo e do exterior.

Após a participação do professor, foi a vez do diretor-executivo do Núcleo Memória, Maurice Politi, falar sobre o contexto de formação da Operação Bandeirante (Oban) e do DOI-Codi, entre os anos de 1969 e 1970. Politi também abordou como o órgão cresceu após a chegada do major Carlos Alberto Brilhante Ustra ao comando do centro de repressão e tortura. Como ex-preso político e também sequestrado pela Oban, relatou um pouco de suas lembranças dos 29 dias em que esteve detido no local.

A segunda parte da atividade consistiu na realização do percurso que envolve o pátio interno da delegacia e a visita ao prédio de dois andares localizado nos fundos do complexo, onde muitas pessoas foram torturadas nos interrogatórios e outras foram assassinadas.

Ao final da atividade, alguns juízes compartilharam suas impressões sobre a visita e ressaltaram o quanto ela é impactante e importante para os trabalhos de preservação da memória e proteção dos Direitos Humanos.

Para ver alguns registros desta visita, clique aqui.

 


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