Foi realizada, no sábado, 25 de abril, mais uma atividade do Programa de Visitas Mediadas ao antigo DOI-Codi/SP pelo Núcleo Memória. Além do público espontâneo que se inscreveu para participar da visita, houve o lançamento do livro “Nunca Mais – os bastidores da maior denúncia contra a tortura já feita no Brasil”, do jornalista e escritor Camilo Vannuchi, além da entrega da Medalha Manoel Fiel Filho, do Coletivo Memória e Democracia.
A ação educativa do Núcleo Memória neste dia contou com os trabalhos do diretor-executivo da entidade, Maurice Politi, do historiador e educador César Novelli Rodrigues, da assistente administrativa Viviane Candido e do assessor de comunicação Othon Barros.
Inicialmente, o educador César apresentou ao público presente a história de formação e os trabalhos desenvolvidos pela entidade. Em seguida, passou a palavra para o diretor e sobrevivente do local, Maurice, que contextualizou a formação da Operação Bandeirante e de seu sucessor, o Destacamento de Operações de Informação – Centro de Operações de Defesa Interna, o DOI-Codi do II Exército. Esses aparatos de repressão funcionaram no local onde a atividade ocorre, de 1969 a 1983, tendo sido responsáveis pelo assassinato de dezenas de pessoas, além de torturarem milhares de outras que eram sequestradas e levadas à sede na rua Tutóia.
Após esta primeira etapa, foi dada a palavra ao jornalista Camilo Vannuchi, que falou, entre outras coisas, do processo de criação do livro “Nunca Mais”, que traz personagens que estiveram por trás do projeto “Brasil: Nunca Mais”, entre os anos de 1979 e 1985. Esse projeto consistiu em salvaguardar as centenas de processos dos julgamentos de presos políticos que ocorreram durante a ditadura militar pela Justiça Militar, pois havia o receio de que, com a redemocratização, eles fossem destruídos. Realizado de forma clandestina, o projeto teve a corajosa participação de muitas pessoas, entre elas Eny Moreira, Dom Paulo Evaristo Arns, Jaime Wright, Luiz Eduardo Greenhalgh, Sigmaringa Seixas, Anivaldo Padilha, Paulo Vannuchi, Frei Betto e Ricardo Kotscho, entre outros. Camilo relatou que conseguiu identificar outros dois heróis anônimos desse projeto: Avel de Alencar, que xerocou todos os 707 processos, e Zé do Egito, que os microfilmou.
A segunda participação especial da manhã coube aos membros do Coletivo Memória e Democracia, representados por Tarcísio Tadeu Garcia Pereira e Valter Paixão, que realizaram a entrega da Medalha Manoel Fiel Filho.
Após esta etapa, a visita seguiu com o percurso pelo pátio interno do complexo e a visita ao prédio em que ocorreram parte dos interrogatórios com tortura e alguns dos assassinatos realizados por agentes do Estado que atuavam no centro de repressão. A atividade foi finalizada com o compartilhamento de impressões do público, o sorteio do livro “Resistência atrás das grades”, de Maurice Politi, e a sessão de autógrafos do jornalista Camilo Vannuchi de seu livro “Nunca Mais”.
Para conferir alguns registros desta atividade, clique aqui.
A próxima visita mediada ao antigo DOI-Codi/SP acontecerá no dia 20 de maio. Ela é aberta ao público que deve se inscrever por meio do formulário disponibilizado alguns dias antes no perfil da entidade no Instagram (@nucleomemoria).