No dia 27 de agosto, o Núcleo Memória participou de uma visita técnica ao antigo Presídio do Hipódromo, em São Paulo, a convite do Conselho Nacional dos Direitos Humanos (CNDH). Estiveram presentes representantes do CNDH, do Grupo Tortura Nunca Mais de São Paulo (GTNM-SP) e do Instituto Vladimir Herzog (IVH), além da vereadora Amanda Paschoal, do jornalista Sergio Barbo e da advogada e ex-presa política Maria Aparecida Costa Cantal.
O objetivo da visita foi verificar as atuais condições do imóvel, que foi vendido pelo governo do estado de São Paulo por menos da metade de seu valor real. Ativistas, organizações da sociedade civil e representantes de instituições ligadas ao campo da memória política têm se mobilizado por sua preservação. Localizado na Rua do Hipódromo, no bairro do Brás, em São Paulo, o antigo Presídio do Hipódromo é um importante lugar de memória, por ter abrigado presos políticos durante as décadas de 1960 e 1970.
Entre as pessoas que estiveram detidas no local estão o ex-deputado federal José Genoino, os ex-ministros Eleonora Menicucci e Nilmário Miranda, a ativista de direitos humanos Amelinha Teles, o jornalista Ivan Seixas, o advogado de presos políticos Idibal Pivetta, a cantora Rita Lee e o fundador e diretor-executivo do Núcleo Memória, Maurice Politi.
Maurice participou da visita técnica ao lado do historiador e educador do Núcleo Memória César Novelli Rodrigues. Durante cerca de duas horas e meia, ambos percorreram o complexo. Politi relembrou o período em que esteve detido no local, em meados de 1974. O Presídio do Hipódromo foi o último local de cárcere pelo qual passou antes de ser expulso do país. Esta foi a primeira vez que retornou ao interior do antigo presídio desde sua passagem por ali, na década de 1970.
O Núcleo Memória reafirma seu compromisso com a defesa da democracia e dos direitos humanos por meio da preservação da memória política e da incidência em favor da criação e consolidação de espaços de memória, como deve ocorrer com o antigo Presídio do Hipódromo.
É imperativo que sejam cumpridas as recomendações das Comissões da Verdade — nacional, estadual e municipal — no que diz respeito à criação e à preservação de espaços de memória em antigos locais de repressão da ditadura militar, destinados à reflexão, à educação em direitos humanos e à garantia de não repetição.
Para saber mais sobre este processo de luta pela preservação do espaço, indicamos as matérias produzidas pelo jornalista Sergio Barbo para a Agência Pública e a Carta Capital.
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