Em mais uma edição do Programa de Visitas Mediadas ao antigo DOI-Codi/SP, o Núcleo Memória recebeu 43 participantes na atividade realizada em 25 de julho. Além do público inscrito por meio do formulário disponível na bio do Instagram (@nucleomemoria), a visita contou com a presença de estudantes da Universidade Federal do ABC (UFABC), acompanhados pela professora Maria Clara Spada.
Desde 2017, o Núcleo Memória realiza um dos programas mais longevos de visitas regulares a um antigo centro de repressão, tortura e extermínio da ditadura militar brasileira (1964–1985): o DOI-Codi do II Exército, em São Paulo. As visitas contam sempre com a participação de sobreviventes que passaram pelo local. Nesta edição, os testemunhos foram compartilhados por Maurice Politi e Dulce Muniz, ambos sequestrados em 1970 e levados para a Operação Bandeirante (Oban).
A atividade teve início com uma apresentação do trabalho desenvolvido pelo Núcleo Memória, conduzida pelo historiador e educador César Novelli Rodrigues, responsável pela mediação. Em sua fala, César destacou a atuação da entidade na criação e preservação de lugares de memória, como o Memorial da Resistência de São Paulo (antigo Deops), o futuro Memorial da Luta pela Justiça (antigas Auditorias Militares) e o Memorial DOI-Codi.
Na sequência, o diretor-executivo do Núcleo Memória, Maurice Politi, apresentou a história da criação da Oban e de seu sucessor, o Destacamento de Operações de Informação – Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-Codi) do II Exército. Em sua exposição, destacou o financiamento da Oban por empresários e empresas, além da reestruturação do aparato repressivo promovida pelo major Carlos Alberto Brilhante Ustra ao assumir o comando do DOI-Codi, em 1970.
Em seguida, a atriz e dramaturga Dulce Muniz refletiu sobre as permanências da violência de Estado na atualidade, que, em sua avaliação, evidenciam continuidades do período ditatorial. Um dos momentos mais marcantes da visita foi seu relato sobre as horas de terror vividas na Oban em 1º de maio de 1970, quando foi presa junto a outros integrantes do Partido Operário Revolucionário Trotskista (PORT).
Após os testemunhos, o grupo foi conduzido ao pátio da 36ª Delegacia de Polícia, na Vila Mariana, onde foram apresentadas as funções desempenhadas pelos edifícios durante o funcionamento da Oban e do DOI-Codi. Os participantes também conheceram os resultados dos trabalhos arqueológicos realizados no local em 2023 e 2025. A visita foi encerrada no prédio de dois andares onde ocorreram grande parte dos interrogatórios sob tortura, incluindo o assassinato do operário e guerrilheiro Virgílio Gomes da Silva, em 1969, e a encenação do falso suicídio do jornalista Vladimir Herzog, em 1975.
A equipe da Ação Educativa do Núcleo Memória responsável pela atividade foi composta pelo diretor-executivo Maurice Politi, pelo historiador e educador César Novelli Rodrigues, pela assistente administrativa Viviane Candido, pelo assessor de comunicação Othon Barros e pelo jornalista e voluntário Danilo Zelic.
A partir desta edição, o Programa de Visitas Mediadas ao antigo DOI-Codi/SP passa a contar com o apoio de uma emenda parlamentar, por meio de parceria firmada com a Secretaria de Estado da Cultura, Economia e Indústria Criativas, conforme o Termo de Fomento nº 439/2026 (Processo SCEC-PRC-2026-00352-DM – Demanda nº 102859).
Para ver alguns registros fotográficos desta atividade, clique aqui.
A próxima visita acontece no dia 12 de agosto e as inscrições abrem em breve no link da bio do Instagram (@nucleomemoria).