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NÚCLEO MEMÓRIA

Atividades núcleo memória |   Brasil perde Amelinha Teles, histórica defensora da democracia e dos direitos humanos

A morte de Maria Amélia de Almeida Teles, a Amelinha Teles, em 15 de setembro, carrega uma coincidência simbólica: a data marca também o Dia Internacional da Democracia. Jornalista, escritora, militante feminista, defensora dos direitos humanos e ex-presa política durante a ditadura militar, Amelinha construiu uma trajetória diretamente ligada à defesa da democracia e à luta contra as violações cometidas pelo Estado brasileiro.

Considerada uma das precursoras do movimento feminista no país, Amelinha fez da própria história de resistência um compromisso permanente com a memória, a verdade e a justiça. Durante a ditadura, foi presa e submetida, ao lado de integrantes de sua família, a uma das experiências mais brutais da repressão política. A violência sofrida, no entanto, não interrompeu sua atuação pública nem seu engajamento em defesa daqueles que também foram perseguidos pelo regime.

Ao longo das décadas seguintes, Amelinha tornou-se uma das vozes mais firmes na denúncia dos crimes cometidos durante a ditadura e na defesa dos direitos das mulheres. Sua militância atravessou diferentes momentos da história brasileira e esteve vinculada a importantes mobilizações pela redemocratização, pelos direitos humanos e pela preservação da memória das vítimas do regime militar.

Ela também teve participação marcante na mobilização em torno da Vala de Perus, em São Paulo, onde foram encontradas, em 1990, mais de mil ossadas de pessoas enterradas clandestinamente durante diferentes períodos, entre elas possíveis vítimas da repressão política. A identificação dos desaparecidos e a responsabilização do Estado tornaram-se parte das causas às quais Amelinha dedicou sua vida.

Sua trajetória ajuda a contar uma parte fundamental da história recente do Brasil. Para as novas gerações, conhecer a vida de Amelinha Teles significa também compreender as lutas que ajudaram a consolidar direitos, denunciar a violência de Estado e fortalecer a democracia brasileira.

Amelinha deixa os filhos Edson e Janaína, além da irmã Criméia, companheira de tantas experiências pessoais e políticas.

Sua morte representa a perda de uma personagem fundamental das lutas democráticas, feministas e de direitos humanos no Brasil. Seu legado, porém, permanece na memória daqueles que dividiram com ela essas batalhas e nas gerações que seguem defendendo os princípios aos quais dedicou sua vida.

Maria Amélia de Almeida Teles, presente, hoje e sempre.


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