No dia 29 de setembro de 2026, aconteceu o 4º encontro do projeto Círculos de Cultura: articulação de organizações e coletivos da sociedade civil para a valorização e o fortalecimento das culturas de resistência. O evento foi realizado na sede do Sindicato dos Artistas e Técnicos em Espetáculos de Diversões do Estado de São Paulo (SATED/SP), localizada no centro da capital paulista. A atividade, conduzida pelos profissionais do Núcleo Memória Wendy Villalobos, Taís Coppini Pereira e César Novelli Rodrigues, reuniu representantes dos coletivos Família Bom Princípio, de Rafard; Bunker, de São José dos Campos; e, de São Paulo, Lakita Sinchi Warmis, Coletivo Mulheres em Série e Brigadas de Teatro do Oprimido.
Após a identificação de seus desafios e potencialidades em reuniões anteriores, os participantes debateram estratégias conjuntas para superar o principal obstáculo comum: a sustentabilidade financeira necessária à continuidade de seus trabalhos de resistência cultural. Entre as principais propostas apresentadas pelos integrantes, destacaram-se o estabelecimento de redes de reciprocidade para o compartilhamento de conhecimentos e oportunidades, a participação em formações voltadas à elaboração de projetos e à captação de recursos, a criação de um caixa interno para a cobertura de despesas operacionais pontuais e a inscrição em diversos cadastros governamentais ligados à cultura, como o CADSOL e o Mapa da Cultura.
Para ilustrar as diferentes formas de viabilização financeira, foi citado como exemplo o modelo de cobrança escalonada adotado por alguns grupos em suas apresentações. Esse formato consiste em variar a cobrança de acordo com o perfil da organização que convida para a atividade, prevendo, por exemplo, o pagamento de cachês integrais por instituições como unidades do Sesc ou faculdades particulares; a cobrança restrita aos custos de alimentação e transporte no caso de escolas públicas; e apresentações totalmente gratuitas quando realizadas em espaços de militância e atos políticos.
Após o compartilhamento dessas visões, o grupo decidiu criar um formulário para identificar as áreas de experiência e as necessidades de cada organização. O objetivo é cruzar essas informações para promover o apoio mútuo, seja por meio do desenvolvimento de atividades integradas, seja por meio de formações que contribuam para a geração de renda dos grupos. O encontro também deu continuidade ao planejamento do videocast que será produzido como parte do projeto, cujo eixo central serão as culturas de resistência. Na ocasião, os presentes realizaram uma chuva de ideias para definir as temáticas que farão parte dos cinco episódios a serem gravados e compartilhados publicamente.
Ao final da atividade, o assessor de comunicação do Núcleo Memória, Othon Barros, gravou depoimentos em vídeo com alguns representantes para apresentar suas iniciativas ao público. Gunther Alexander compartilhou informações sobre as Brigadas de Teatro do Oprimido, iniciativa que, desde 2018, utiliza as técnicas criadas pelo diretor de teatro, dramaturgo e ensaísta brasileiro Augusto Boal para realizar intervenções em locais públicos com o objetivo de fortalecer a democracia. Já Renata Freire apresentou o trabalho do Coletivo Mulheres em Série, que atua desde 2015 no território do Campo Limpo, desenvolvendo produções transmídia sobre a pauta da mulheridade no século XXI.
Esses registros estão sendo publicados nas redes sociais do Núcleo Memória em colaboração com as páginas dos próprios coletivos parceiros.
O projeto Círculos de Cultura é fruto de emenda parlamentar e é realizado por meio do Termo de Fomento nº 977505/2025, celebrado entre a União, por intermédio do Ministério da Cultura e da Secretaria de Cidadania e Diversidade Cultural, e o Núcleo de Preservação da Memória Política. A iniciativa tem como objeto a realização dos Círculos de Cultura e a produção dos episódios de videocast, estimulando a formação e o fortalecimento de redes colaborativas compostas por organizações da sociedade civil no Estado de São Paulo.