dezembro/25

Editorial

Enquanto estávamos todos ainda festejando a entrada em um novo ano, o mundo foi surpreendido, na madrugada do dia 3 de janeiro, com o violento ataque militar desfechado pelos Estados Unidos contra a Venezuela, com o sequestro de seu presidente, Nicolás Maduro, e de sua esposa, Cilia Flores. As autoridades venezuelanas, que acusaram os EUA de buscar o domínio de recursos estratégicos como petróleo e minerais, também deram a conhecer a feroz resistência oferecida pelos venezuelanos a esse ataque surpresa, que resultou na morte de mais de 50 pessoas, a maioria membros da guarda presidencial.

A reação mundial a esse ato dos Estados Unidos, que violou todos os princípios do Direito Internacional, foi praticamente unânime. Ao classificar o episódio como uma grave violação da soberania nacional e uma intervenção direta na condução de um país, o mundo, e principalmente a América Latina, lembrou as distintas ações imperialistas que, levadas a efeito durante o século XX, deram origem a várias guerras e golpes de Estado.

Esse episódio, que chocou o mundo, ainda precisa ser analisado em toda a sua extensão e significado, e será necessário acompanhar seus desdobramentos. Mas definitivamente serve de alerta para os demais países do mundo que, sujeitos aos desvarios de uma nova geopolítica mundial, poderiam ser os próximos alvos dos EUA.

A outra nota digna de menção neste editorial se relaciona com o terceiro aniversário da tentativa frustrada de golpe de Estado ocorrida em 8 de janeiro de 2023. Eventos em defesa da democracia e contra a anistia aos golpistas foram realizados em todo o país e, especialmente, na capital, Brasília, quando o presidente Lula assinou o veto ao PL da Dosimetria, aprovado pelo Congresso em 18 de dezembro.

É bom lembrar que, até o final do mês passado, mais de 2 mil pessoas foram investigadas por envolvimento nesses ataques golpistas, sendo que 371 foram efetivamente condenadas. Dos condenados à prisão, 71 pessoas já estão na cadeia, enquanto outras 30 aguardam o fim do julgamento, incluindo todas as chances de recurso.

Dessa maneira, apesar das ações nefastas do Congresso nos últimos meses, que tentam “salvar” Bolsonaro da prisão, pudemos ver, em dezembro, várias mobilizações de entidades da sociedade civil organizada, clamando contra a impunidade e denunciando ações da extrema direita, incluindo seu apoio à invasão da Venezuela, que buscam inverter o curso da História.

Nesse sentido, nós, do Núcleo Memória, começamos este novo ano animados, na trincheira da defesa dos Direitos Humanos, dos valores democráticos e conduzindo nossas ações educativas e culturais com o objetivo de estimular o exercício de uma cidadania plena.

À medida que os meses transcorrerem, anunciaremos novas atividades, mas não queríamos fechar o ano de 2025 sem agradecer o apoio de cada um de nossos mais de 10.000 seguidores e dos amigos do Núcleo Memória que nos ajudam a sustentar nossas ações.

Uma vez que dezembro foi um mês curto, queremos aproveitar este boletim para relembrar, por meio de uma pequena retrospectiva, as principais atividades levadas a efeito no ano que passou.

Boa leitura!

 
 
ATIVIDADES EDUCATIVAS-CULTURAIS

2025 foi um ano intenso, vivo e profundamente marcado pelo compromisso do Núcleo Memória com a construção da democracia, da educação em direitos humanos e da luta por Memória, Verdade, Justiça e Reparação.

Ao longo do ano, promovemos inúmeras visitas mediadas ao antigo DOI-Codi/SP, reafirmando esse espaço como um lugar de memória vivo e pedagógico. Entre elas, destacam-se a visita em forma de homenagem pelos 50 anos do assassinato de Vladimir Herzog, momento de escuta, reflexão e reafirmação do “Nunca mais”.

Também estivemos em diálogo com diferentes públicos e territórios por meio de rodas de conversa, como a realizada no Cursinho Popular da Psicologia da USP, fortalecendo a educação em direitos humanos e a formação crítica. A memória também ocupou espaços de cultura e conhecimento com a inauguração da exposição “Ausências Brasil” na Biblioteca de Obras Raras da Unicamp, ampliando o alcance das narrativas sobre os desaparecimentos políticos. Ao longo de 2025, o projeto da exposição foi concluído na capital e na região metropolitana de São Paulo, tendo sido levado a dois CEUs, Rosa da China e Vila Rubi,  além do Arquivo Histórico Municipal, ampliando seu alcance junto a públicos diversos e reforçando seu caráter educativo e formativo.

Vivenciamos experiências coletivas de imersão e reflexão com os  Sábados Residentes, como aquele dedicado à visita a espaços de repressão e memória da ditadura militar, e seguimos ocupando as ruas e a cidade com ações simbólicas e políticas, como a 5ª Caminhada do Silêncio.

Participamos ainda de momentos históricos e emocionantes, como a homenagem pelos 100 anos de Clara Charf e o dia em que a Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos entregou Certidões de Óbito Retificadas, um passo fundamental no reconhecimento das violências do Estado e na reparação às famílias.

Essas são apenas algumas das muitas atividades que marcaram 2025. Seguimos, juntos, transformando o passado em ferramenta para pensar o presente e construir o futuro.

 
ATIVIDADES DE DEZEMBRO
 
  Finalização do Curso Lugares de Memória e Direitos Humanos 2025

No dia 6 de dezembro, o Núcleo Memória realizou uma visita mediada ao antigo DOI-Codi/SP, um dos principais centros de repressão da ditadura militar. A atividade integrou o curso Lugares de Memória e Direitos Humanos no Brasil e reuniu reflexões sobre história, memória, democracia e educação em direitos humanos. Quer saber como foi essa experiência?. Leia mais...

 
  Entrega do 3º Prêmio Memória e Resistência

No dia 13 de dezembro, o antigo DOI-Codi/SP foi palco da 3ª edição do Prêmio Memória e Resistência, que homenageou Ilda Martins da Silva e Luiz Eduardo Greenhalgh por suas trajetórias de luta por Memória, Verdade, Justiça e Reparação. A cerimônia integrou uma visita mediada ao espaço e reuniu histórias marcantes de resistência e compromisso com a democracia. Leia mais...

 
Próximas Atividades
 

 
Programa de Visita Mediada ao antigo DOI-Codi/SP
17/01 às 10h
21/01 às 10h
Local: Rua Tutóia, 921

Acompanhe o Núcleo nas redes socais!

 

NÚCLEO MEMÓRIA | Av. Brigadeiro Luis Antonio 2.050 • Bloco B cjto 92
São Paulo, SP • (+55) (11) 2306-4801 • Whatsapp (11) 96335-3797
 
 
www.nucleomemoria.com.br