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Editorial
Deixamos para redigir este editorial depois que os resultados das eleições fossem oficializados no site do TSE. Com todas as urnas apuradas, constata-se o que as pesquisas previam, ou seja, um empate, dentro das margens de erro, entre os dois candidatos à Presidência da República.
No entanto, a surpresa foi considerável entre os eleitores do Partido dos Trabalhadores e da coligação que o apoiava, já que o presidente Lula, que figurava nas últimas pesquisas como vencedor do pleito, viu-se suplantado por Flávio Bolsonaro por uma margem de 2.225.000 votos. O resultado mostra que Flávio Bolsonaro obteve 56.104.000 votos (47,03%) e Lula, 53.879.000 (45,16%).
Mas o que mais chama a atenção e constitui um sinal de preocupação, ao lado de uma abstenção recorde que atingiu 33 milhões de potenciais votantes, foi a tremenda guinada à direita observada tanto no Senado como na Câmara dos Deputados.
Com a renovação de dois terços da composição do Senado, o PL passou a ter a maior bancada, com 28 das 81 cadeiras, fortalecendo as discussões sobre pautas conservadoras e eventuais processos de impeachment de ministros do STF. Na Câmara, foram eleitos 121 deputados, formando a maior bancada desde 1988. Para efeito de comparação, o PT e sua coligação conseguiram eleger somente 9 senadores e 70 deputados, constituindo a segunda maior bancada em ambas as Casas.
Finalmente, o que podemos dizer é que temos um novo mapa político do Brasil. Com exceção da vitória de governadores desse partido em três estados (Piauí, Bahia e Ceará), os demais governadores eleitos em primeiro turno (17) são oriundos de partidos conservadores, assim como os candidatos que disputarão o segundo turno em outros sete estados.
Esta breve análise demonstra a importância do segundo turno da eleição presidencial e do esforço redobrado que deve ser feito para evitar o colapso total das instituições democráticas no país, tendo em vista o programa de governo de Flávio, caso seja ele o vencedor no dia 25.
Dessa maneira, nós, da equipe do Núcleo Memória, faremos o máximo para tentar reverter este primeiro resultado adverso e, nas atividades a serem desenvolvidas nas próximas semanas, reforçaremos os apelos ao exercício de uma cidadania consciente e à valorização dos princípios democráticos.
Boa leitura!
Homenagem - Amelinha Teles, presente!
Amelinha Teles, jornalista, escritora e referência na luta feminista, pelos direitos humanos e pela democracia, morreu em 15 de setembro. Ex-presa política da ditadura, dedicou a vida à memória, à verdade e à justiça. Seu legado permanece como símbolo de resistência e compromisso com a democracia brasileira.
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