Editorial
Depois de um breve recesso na primeira quinzena de janeiro, voltamos às atividades com ânimo e determinação para fazermos de 2026 mais um ano repleto de atividades em defesa dos princípios que nos guiam desde nossa fundação há 17 anos atrás.
Durante estes primeiros 45 dias de trabalho, demos prioridade à revisão do nosso livro institucional “A história e a memória do Núcleo de Preservação da Memória Política”, cuja primeira edição foi publicada em 2017. Considerando que ele carecia de uma atualização, estamos muito felizes em anunciar que, até o fim do mês de março, esta nova edição estará disponível impresso e online.
Mesmo com poucas atividades externas durante este primeiro bimestre, como vocês podem notar na leitura deste boletim, a equipe do Núcleo Memória se ocupou em reuniões internas para a continuidade do planejamento do ano que, como é de praxe no país, só se considera iniciado depois de passados os feriados do Carnaval.
Além disso, também se dedicou à finalização da produção do projeto expositivo “Ausências Brasil”, em parceria com o Instituto Histórico e Geográfico de Santos, que contou com formação de educadores e inauguração entre os dias 27 e 28 de fevereiro; dos projetos em andamento e dos que se iniciam em março, como os Sábados Resistentes.
Como habitualmente fazemos em nossos boletins, não podemos deixar de comentar rapidamente a situação político-econômica em que nos encontramos. De um lado, uma miríade de boas notícias no campo econômico, mas, por outro, um momento delicado na área política, decorrente das definições que se deram nestes últimos 60 dias a respeito da disputa nas próximas eleições.
Na economia, os indicadores oficiais divulgados ao longo de 2025 e no início de 2026 apontam uma economia brasileira marcada por queda recorde do desemprego, desaceleração da inflação, crescimento da renda e valorização sucessiva do mercado financeiro.
O desemprego caindo para 5,1% indicou que este está ao menor nível desde 2012, sendo que esta melhora no mercado de trabalho foi acompanhada por ganhos reais de renda, impulsionados por políticas de valorização do salário mínimo, novas regras para isenção do Imposto de Renda para salários de até 5.000 reais /mês e pela recuperação gradual do poder de compra. Com estes indicadores positivos, espera-se que o índice de inflação atinja, para todo o ano de 2026, o índice de 3,91% e, portanto, dentro da meta disposta pelo governo.
Estes dados positivos, no entanto, não conseguiram ainda se refletir nas pesquisas de opinião, que apresentam uma ligeira queda no índice de aprovação do governo, atribuída pelos comentaristas ao papel da mídia tradicional e ao uso intensivo das redes sociais para promover “fake news” e hipotéticos problemas que surgiriam para o governo a partir de CPI’s instaladas e denúncias sem fundamentos, que ligariam o governo ao escândalo financeiro do Banco Master. Apesar de oficialmente a campanha eleitoral só começará em meados de agosto, vemos abertamente que esta já se iniciou, sendo que a sua agressividade se faz notar cada dia mais.
No campo social, não poderíamos deixar de mencionar um ponto que pouco foi destacado na mídia. A derrubada do Decreto 12.600, que previa a privatização das operações de dragagem dos rios Madeira, Tapajós e Tocantins, o que permitiria a multiplicação de dragas industriais para extração de ouro (com o uso intensivo de mercúrio) e a agilização do escoamento de mercadorias do agronegócio, com todos os malefícios que isto teria como consequência para as populações da região.
A forte mobilização das populações ribeirinhas e das comunidades indígenas contra este decreto acabou por fazer com que o governo cancelasse o mesmo. Isso representa uma prova efetiva de que somente a mobilização social, de forma organizada, traz vitórias expressivas, principalmente quando se trata da defesa do meio ambiente, da saúde e de valores econômicos que sejam em benefício dos setores mais vulneráveis.
Finalmente, não podemos deixar de mencionar a sentença proferida pelo STF em 25 de fevereiro, condenando, depois de 8 anos de mobilizações e protestos, quatro pessoas pelo assassinato da vereadora do Rio de Janeiro Marielle Franco e do seu motorista Anderson Gomes. A decisão unânime em condenar dois políticos e dois ex-policiais a longos anos de cadeia representa um marco contra a impunidade das elites, e assim foi considerado por órgãos de imprensa do mundo.
Na expectativa de continuar contando com o apoio dos nossos leitores e dos quase 15.000 seguidores de nossas atividades, desejamos a todos e todas uma boa leitura!
Equipe Núcleo Memória