Editorial
O mês de abril foi marcado por um revés significativo para o governo federal, com desdobramentos que ainda devem repercutir nas próximas semanas. A rejeição da indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal, por 42 votos contrários e 34 favoráveis, expôs fragilidades na articulação da coalizão parlamentar. O episódio também entrou para a história como a primeira rejeição de um indicado presidencial ao STF desde 1894.
Na sessão seguinte do Congresso Nacional, o governo voltou a sofrer derrota com a derrubada do veto presidencial à chamada lei de dosimetria. A medida pode beneficiar pessoas envolvidas nos atos de Ataques de 8 de janeiro de 2023, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro. A votação, que deve judicializada por erros no seu encaminhamento, mostra que o Poder Legislativo está cada vez mais disposto a colocar em xeque as questões que o governo considera prioritárias e assim encaminhar-se para uma posição de confronto, com vistas ao fortalecimento da direita nas próximas eleições no mês de outubro.
No campo econômico, o país refletiu a volatilidade internacional, influenciada por tensões externas como o conflito envolvendo o Irã. Estimativas preliminares indicaram que a inflação do mês poderia atingir 0,90%, de acordo com cálculos preliminares. E embora o Banco Central tenha diminuído em 0,25 pontos (de 14,75% a 14,5%), o Brasil ainda tem uma das mais altas taxas de juros no mundo, o que eleva o mal humor das famílias, pressionadas pelo crescente endividamento existente, justamente alimentado por essa alta taxa.
Diante desse cenário, o governo avalia medidas para conter o aumento do endividamento, incluindo uma nova fase do programa Desenrola, conhecida como “Desenrola 2”, além de possíveis ações como subsídios aos combustíveis e redução dos custos de energia. Também permanece em debate a proposta de extinção da escala de trabalho “6x1”, que, se votada, beneficiaria milhares de trabalhadores.
No âmbito das atividades do Núcleo Memória, abril foi marcado pela conclusão da exposição “Ausências”, realizada no Instituto Histórico e Geográfico de Santos, acompanhada de ações educativas. Também ocorreram duas visitas mediadas ao antigo DOI-Codi, mais uma edição dos Sábados Resistentes e rodas de conversa com estudantes de universidades estrangeiras em visita a São Paulo.
Internamente, foi realizada a Assembleia dos Conselhos do Núcleo Memória, que definiu a eleição de novos integrantes para o Conselho de Administração. As vagas foram abertas após a conclusão de dois mandatos consecutivos de Renan Quinalha e Anivaldo Padilha, aos quais a instituição registrou agradecimento pela contribuição ao longo dos últimos oito anos.
Foram eleitos para o Conselho o professor Marcos Napolitano, da Universidade de São Paulo, e a advogada Maria Luiza Bierrenbach, que passam a integrar a gestão da entidade.
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