Homenagem a Alípio Freire

26/04/2021

Gabriela Pinilla. Padre Gabriel Díaz, Fragmento do Mural Fotógrafa de revoluções, 14 x 6 metros, Museo de Antioquia, 2019, Medellín, Colombia

Por FLÁVIO AGUIAR* - Publicado no site “A Terra é Redonda”
A versão ficcionalizada de uma narrativa do artista e ativista político, recém-falecido

Conheci Alípio pessoalmente depois do fim da ditadura, ou nos seus estertores. Nos cruzamos naquelas quebradas de tentar pôr de pé veículos de comunicação para o PT. Militamos na revista Teoria e Debate, e em outras publicações menos bem-sucedidas. Entre outras inúmeras qualidades, Alípio era um exímio contador de histórias. E como diz o título de uma das melhores antologias do conto universal, organizada por Aurélio Buarque de Hollanda e Paulo Rónai, Alípio era, ele mesmo, um “Mar de Histórias”. Ele me contou muitas, algumas acontecidas com ele, outras com militantes que conhecera. De todas, nessa homenagem, selecionei uma, a que dei o título de “Morituri te salutant”, publicada em Crônicas do mundo ao revés (Boitempo). Na época, dediquei-o, pudicamente, a “A.”. Aqui vai ela, evocando nossos serões regados com as maravilhosas narrativas dele. Alípio, até sempre.

Morituri te salutant.

Ali estávamos: Ela e eu.
“Ali” era um apartamento na rua Rego Freitas, em São Paulo. Era um aparelho, como a gente dizia na época. Um aparelho era um apartamento usado para abrigar temporária ou permanentemente uma célula de guerrilheiros que lutavam contra a ditadura, aqueles vulgarmente chamados de “terroristas”. Casa era mais raro: só em caso de sequestro.

Eu era eu: nome de guerra Rodolfo (que os órgãos da repressão chamavam de “codinome”), membro da Vanguarda Revolucionária dos Trabalhadores, a VRT. Eu fora estudante de Economia, agora era um militante profissional. Profissional: só ganhava o suficiente para sobreviver.

“Ela” era Ela. Esse era o seu nome de guerra. Já ouvira falar vagamente algo sobre Ela, mas de concreto eu não sabia nada. Nunca nos víramos antes. Era nossa primeira ação conjunta.

Era noite, já bem tarde. Estávamos no escuro, esperando outros dois companheiros, o Oto e o Diego. No dia seguinte deveríamos expropriar um banco, como a gente dizia. O dinheiro era necessário para aprontar mais um sequestro de diplomata, no Rio de Janeiro, a fim de trocá-lo por companheiros e companheiras, presos e torturados.

Mas os dois tardavam. Já deveriam ter chegado. Se não viessem, ou pelo menos um deles não chegasse, a ação deveria ser abortada, e deveríamos bater em retirada. Era sinal de que um caíra, ou os dois caíram. Todo aquele que caísse preso tinha ordens de aguentar pelo menos 24 horas na tortura, para dar tempo aos outros de fugir, se mudar, destruir o que fosse preciso, etc. Mas isso, a gente sabia, era utópico. A maioria dos companheiros não aguentava nem duas ou três horas de tortura antes de começar a “cantar”, como diziam os torturadores. Falavam o que sabiam e até o que não sabiam. Os mais duros começavam mentindo, ainda que soubessem que isso pioraria a tortura depois. Mas acontecia.

Falta de preparo nosso? Talvez. Mas os métodos da tortura na repressão brasileira eram particularmente cruéis. Penduravam o cara no pau de arara, essa tecnologia “importada” dos tempos da escravidão, e davam-lhe choques elétricos no pênis, no ânus, na vagina das mulheres e por aí pelo corpo afora. E havia outros métodos, que iam das pancadas nas orelhas (o “telefone”), os choques nos dedos com os pés descalços num chão molhado, às simulações de fuzilamento e ao que mais se imagine. Poucos caras aguentaram tudo isso, pelas 24 horas esperadas, ou mais. Muitos morreram. Outros ficaram estropiados, por dentro ou por fora, ou ambos. Não vou julgar ninguém. Não tenho nem moral para isso, nem acho que seja o caso.
O apartamento era legal, como aparelho. Ficava no primeiro andar, era de esquina, tinha janelas para ambas as ruas, dava para vigiar os quatro cantos de acesso. Nos fundos, a área de serviço dava para um pequeno pátio interno, onde havia um depósito logo embaixo. Havia uma porta que dava para os fundos de um outro prédio. Aquilo poderia ser uma rota de fuga, pois dava para pular pela sacada até o telhado. Havia risco de se quebrar algo, mas era uma possibilidade.
No escuro, eu pensava nessa geografia do aparelho, vigiando a Rego Freitas pela persiana abaixada, quando Ela, com um psst! abafado, me chamou, junto à outra janela. Fui até lá, e Ela me mostrou: na rua, na calçada em frente, um cara parrudo fumava, encostado na parede de um edifício. Era bem tarde, fazia frio e caía uma garoa: aquilo era muito estranho, ela me disse, sussurrando.
É, eu concordei. Voltei ao meu posto de observação: na Rego Freitas, em frente e um pouco acima, na direção da Igreja da Consolação, estacionara uma perua C-14. Era o carro preferido pela repressão. Tinha gente dentro, que não descera.
O aparelho caiu, pensei. Um deles, ou os dois, Oto e Diego, devem ter caído, e aberto o endereço. Merda. Comuniquei meu temor – minha certeza – a Ela. Ela concordou. Devemos sair, disse. E devemos tentar pelos fundos, na frente eles já estão de campana – isso era tão sussurrado que parecia um pensamento. É, eu disse. Vamos.

Vesti a japona, Ela abotoou o impermeável, peguei a sacola com as armas e fomos até a área de serviço. A porta para a sacada ficava sempre aberta quando havia gente lá, para o movimento não chamar a atenção. Saí na frente, abaixado. Ao levantar a cabeça, o suficiente para ver o pátio embaixo, logo notei os dois meganhas saindo pela porta do outro prédio e parando junto à parede. Vestiam essas gabardines de filme policial, mas dava para perceber que estavam armados.

Voltamos para dentro do apartamento, fomos até a sala escura. Caralho, eu disse, estamos cercados. Eles vão arrebentar o aparelho. Abri a sacola, tirei de dentro as duas metralhadoras e as duas pistolas que tínhamos, com os pentes de balas.
Só nos resta resistir, eu disse. Eu era o comandante da ação. É, disse Ela. E emendou: vamos morrer. Estava escuro, muito escuro. Para ver mais claro, a gente precisava ficar muito perto um do outro, quase se tocar. E havia o problema das falas, tinha que ser tão baixo tudo que a gente tinha que falar ao pé do ouvido um do outro.
Engatei as armas, dei uma pistola e uma “costureira” para Ela. Voltei para a janela da Rego Freitas. A perua continuava lá, sem se mexer. Fui com Ela até a janela da outra rua. O cara fumava. O que esses putos estão esperando, eu pensei. Fiz sinal para Ela ficar onde estava. Fui até a sacada de trás. Os dois caras não estavam no pátio, mas a porta do outro prédio, entreaberta, mostrava que eles estavam no corredor, talvez por causa da garoazinha, que continuava a cair, insossa e gelada. Olhei: a sacada do apartamento vizinho era muito longe, era impossível passar para lá. E os caras lá embaixo iriam perceber.

Voltei para a sala. Quem sabe a gente podia sair para o corredor, subir pelo prédio, buscar um esconderijo, falei junto da orelha dela. Fui até a porta, destampei o olho mágico: com luz, a gente podia ver até o fundo do corredor, onde havia o elevador e a porta para a escada. A imagem era pequena, tudo estava escuro, mas de repente a porta da escada se abriu e um outro cara olhou para dentro, sem se dar por achado, como se estivesse confiante em que ninguém iria vê-lo. Depois encostou a porta de novo.

Contei para Ela o que vira. Não tem saída, disse Ela. Eles já estão dentro do edifício. Mas então, disse eu, o que estão esperando? Não sei, respondeu Ela. Só sei que ou vamos morrer ou vamos ser presos e levados para a tortura. Acho que prefiro morrer. Eu também, disse eu. Você tem filhos? Ela perguntou de repente. Aquilo destoava das regras da Organização: nada de perguntas, de temas pessoais. A gente sabia que isso era desrespeitado com frequência. Mas essa era a regra. Não, respondi. Tenho irmãos. Minha mãe mora em Caxias do Sul. Não vejo ela faz algum tempo. E você? Também não tenho filhos, disse Ela. Você é do Rio, não é? Perguntei. É, Ela disse. Eu conheci pelo sotaque, eu falei. Naquela situação completamente absurda, percebi no escuro que ela sorrira. Eu não tenho sotaque, ela disse. Vocês é que têm. Ora, ora, eu disse, assim não vale. Vocês cariocas… De repente, Ela colocou os dedos em minha boca. Deu para ouvir, do lado de fora, que uma porta da perua se abrira. Corri até a janela. Um dos caras saiu, atravessou a rua, caminhou devagar, dobrou a esquina. Pela outra janela vimos que ele foi conversar com o cara do cigarro, na outra rua. E só. Ficou por ali, depois voltou para a perua, abriu a porta, entrou, bateu.
É incrível, eu disse, esses caras se comportam como se estivessem sem medo de serem vistos! Sussurrando, Ela me disse: estou louca para fumar um cigarro. E você? É contra as regras, eu disse, mas… Ela me cortou: nós vamos morrer, ou virarmos nabos na tortura. Vem cá, eu disse. Peguei-a pela mão, fomos até a cozinha, logo antes da área. Sentamos no chão, junto da pia, bem embaixo da janela basculante. As armas estavam ao nosso lado.

No armário da pia tinha uma caixa de fósforos. Ela tirou um maço de cigarros da bolsa, pequena e que, naquela réstia de luz que entrava pela janela, dava para ver que era de couro preto com brocado de seda, da mesma cor, com fios de prata. Peguei um cigarro, acendi-o na concha da mão, depois acendi o dela na brasa do meu.

Naquilo de acender o cigarro, com o fósforo, e depois brasa contra brasa, eu reparei que os seus olhos brilhavam, sob as sobrancelhas morenas, curtas, espessas. Ela me olhava nos olhos também. Então nos recostamos, e tiramos longas baforadas. Uma, duas, três.

Ela me disse: você está com medo? Pegue em minha mão, eu falei. Ela pegou. Está seca, Ela disse, como a minha. Seca demais. Estou com medo sim, eu disse, um puta medo. Eu também, ouvi a frase tremida. Apertei a sua mão, ela apertou a minha. Larguei o cigarro, pus o braço ao redor dos seus ombros, aconcheguei-a. O seu impermeável fez um ruído meio assim: rrr… rrr.. contra minha japona.

Está quente, eu disse, e tirei a japona. Joguei-a no chão, enquanto Ela tirava o impermeável. Pela primeira vez, reparei na blusa vermelha que Ela vestia, com rendas. Ela se aconchegou de novo. Esses caras, Ela disse, por que não vêm? Por que não acabam com tudo isso duma vez? Não sei, eu falei, e para dizer isso minha boca roçou de fato no seu ouvido. Numa fração de segundo Ela me beijou na boca. Eu respondi o beijo. De repente nossas bocas estavam úmidas. Ela passou a mão em meus cabelos, na nuca. Eu agarrei seu rosto, puxei-a mais, nos beijamos loucamente.
É contra as regras, eu disse. Nada de sexo, nada de intimidades. A Organização… Nós vamos morrer, ela disse. É, eu disse. Quer ver, continuei. Eu já estive aqui. Fui até o armário embaixo da pia da cozinha, tirei de lá uma garrafa de cachaça, da boa. Isso é mais ainda contra as regras, Ela disse, estamos com armas, vamos ter de entrar em ação para nos defender… Nós vamos morrer, eu disse, tirando a rolha. Tomei um gole no gargalo, enorme. Ofereci, Ela pegou, bebeu também. Afogueados, nos beijamos de novo. Morituri te salutant, eu disse. O que é isso? Ela perguntou. Os que vão morrer te saúdam, eu disse. É o que os gladiadores diziam a César, no Coliseu.
Ela botou a mão no meu pescoço, por dentro do colarinho, e nas costas. Em pouco segundos arrancávamos toda a roupa, eu reparei na pequenez dos seus seios na concha das minhas mãos e na curva de suas ancas e nádegas nas mesmas conchas. Não havia cama no apartamento, só uns colchonetes, quase ninguém dormia ali. Fomos para o sofá da sala, de gatinhas, temendo chamar a atenção. E sobre o sofá fizemos amor. Aquilo, in extremis, foi um Te Deum, um amor sôfrego, em silêncio, onde pequenos suspiros e gemidos sufocados valiam por gritos adoidados, corais desenfrados, o cântico dos cânticos, a música das esferas.

Quedamo-nos arfando, eu sobre ela, até nos separarmos. Foi quando ouvimos um baque. Um golpe seco, uma porta estava sendo arrombada, parecia. Mas não era a nossa. Por baixo da porta, deu para ver que tinha luz no corredor. Corri ao olho mágico: os caras tinham invadido – sim, invadido, mas o apartamento ao lado, aquele cuja sacada não dava para alcançar. Ainda pelo olho mágico deu para ver a meganhada fazendo a festa. Tiravam coisas de lá: mimeógrafo, máquina de escrever, documentos, papelada. Mas não havia armas, nem ninguém.

Ela também olhou. Era outro aparelho que eles buscavam, Ela disse. E a gente nem suspeitava. Por isso demoraram tanto, eu disse, queriam ver se alguém chegava, para prender.

Fechei o olho mágico. Respiramos fundo. Pela primeira vez, sentimos o frio da noite nos nossos corpos nus. Nus? Sim, de repente, tivemos consciência da nossa nudez no escuro. Ali estávamos, frente a frente, irremediavelmente nus, expulsos do Inferno. Ou do Paraíso? Fomos até a cozinha, nos vestimos tão sofregamente quanto tínhamos nos despido.

Mas a situação era grave. A ausência de Diego e Oto mostrava que algo estava errado. Tínhamos que sair dali. Mas sair daquele jeito, àquela hora, era loucura, com a meganhada por lá. E certamente deixariam uma campana para ver se alguém chegava no outro aparelho.

Tínhamos de esperar até o amanhecer, arriscando tudo, para sair quando os outros moradores do prédio também começassem a sair. Assim foi. Pelas seis e meia da manhã começou o movimento de entra e sai. Pelas sete e pouco pudemos nos esgueirar separadamente, primeiro eu com a bolsa das armas, depois Ela, em meio ao movimento de empregadas domésticas que chegavam, trabalhadores de escritório que saíam, damas da noite que entravam, donas de casa que iam à padaria e assim por diante. Ao passar pela portaria vi o porteiro conversando com um dos meganhas. Filho da puta, pensei, foi ele que dedou o outro aparelho, de que sequer suspeitáramos. Felizmente não suspeitou do nosso, que agora estava queimado.
Ao me perder no meio da multidão, levava ainda nos ouvidos alguns dos sussurros daquela noite tresloucada. Você tem namorado? Cheguei a perguntar a Ela. Isso importa? Ela me respondeu. Não, eu disse. Também não quero saber, ela me disse. Talvez a gente possa se ver, eu disse, quando tudo isso acabar. Isso tem fim? Ela perguntou. Não sei, quem sabe? Foi minha última frase, antes que a gente se preparasse para sair.

A vida e a luta continuaram. Soube depois que o Oto sim, caíra. Fora pego em casa, antes de sair. Um outro companheiro dedara. Já o Diego, vendo que o Oto não aparecia, parece que ainda tentou vir até o aparelho da Rego Freitas, para avisar. Mas também percebeu a campana dos meganhas, e se mandou sem olhar para trás. Imaginou que o Oto já cantara. Foi que me disseram. Mas o Oto não cantou. Levou pau e choque elétrico aos montes. Aguentou as 24 horas e mais um tempo. Depois abriu. Mas quando os policiais chegaram ao aparelho, ele estava limpo. Não tinha mais ninguém nem nada lá. Nem a garrafa de cachaça, que eu levara como lembrança.

Com a quantidade de gente que caiu, a VTR se desmantelou. Nem eu nem Ela caímos. Fugi. Vivi durante anos com outro nome no interior de Minas, onde um tio me conseguiu um refúgio, junto a uns chacareiros. Ela sumiu. Mas nos vai-vens, com a Anistia, meu nome apareceu na lista dos anistiados. O dela, que eu saiba, não. Ela se evaporara. Oto, hoje, vive na Espanha, é designer. Diego foi baleado ao ser preso. Morreu do ferimento, ou na tortura. Não permitiram que a família abrisse o caixão no velório. Não faz muito, exumaram o corpo e fizeram uma autópsia. Comprovaram sinais de tortura. Virou herói.

Consegui um diploma de Economia, fui trabalhar para diferentes órgãos de governo, acabei em Brasília, primeiro assessor de deputado, depois funcionário do Congresso. Tive muitos namoros, nunca me casei nem tive companheira por muito tempo. Viajei por ali, por lá, acolá, alhures, de vez em quando procurava por Ela, sem resultado.
Dias atrás, atendi ao telefone, em casa, e reconheci a voz: era Ela. Como me achou, perguntei, com um certo tremor na voz. Na lista telefônica, disse Ela, conheço seu nome, saiu no decreto da Anistia. Ou prefere que eu continue te chamando de Rodolfo? Não, eu disse, me chame pelo meu nome de batismo. O meu nome é Meire, disse Ela. Sabe, estou chegando da Índia. Tenho uma enorme viagem para te contar. Sim, disse eu, eu também tenho uma história, talvez menos interessante, mas uma história. Eu quero conhecer, me disse Ela. Procurei por você, eu disse. Você sumiu. O que quer agora, depois de tanto tempo? Olhe, Ela respondeu, eu fugi de muita coisa, por muito tempo. Agora chega. Vou te contar. Ficou um nó dentro de mim, que eu preciso desatar. É, eu disse, na minha vida também ficou um nó. Vamos puxar essas pontas, juntos. Houve um silêncio. Eu disse: morituri… Não terminei, Ela completou: …te salutant.

Marcamos um encontro para hoje, domingo, na Catedral de Brasília, daqui a pouco. Redigi essas notas porque sei o que quero que aconteça, mas não sei o que vai acontecer.

Agora, estou de saída. Finalmente vou conhecer Ela. E talvez Ela me conheça também.

PS: O núcleo da narrativa, o do encontro in extremis entre o e a militante, bate com o que Alípio me contou. O resto é tudo ficção.

*Flávio Aguiar, jornalista e escritor, é professor aposentado de literatura brasileira na USP. Autor, entre outros livros, de Crônicas do mundo ao revés (Boitempo).


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