Ato Entrega Certidões de Óbito

19/12/2019

O Núcleo de Preservação da Memória Política esteve presente na manhã de ontem (18/12/2019) na sede do Ministério Público de São Paulo, na cerimônia de entrega das certidões de óbito retificadas às famílias do sindicalista Virgílio Gomes da Silva e do jornalista Luiz Merlino, ambos militantes da resistência contra a ditadura civil militar e assassinados pelo então regime ditatorial .

O operário e sindicalista Virgílio Gomes da Silva foi dirigente da ALN (Ação Libertadora Nacional) e participou do sequestro do embaixador americano que culminou com a troca de quinze presos políticos, em setembro de 1969. Preso em novembro do mesmo ano, Virgílio foi levado para as dependências da Operação Bandeirantes - OBAN (depois institucionalizada como órgão de repressão oficial da estrutura militar sob o nome de DOI-CODI)   na Vila Mariana.
Virgilio passou por uma brutal sessão de tortura continuada durante 24 horas,   que o levou a morte, como testemunhou seu irmão, Francisco Gomes da Silva e vários outros militantes que estavam presos no mesmo período. Seu corpo até hoje permanece desaparecido.

 

Jornalista e militante do Partido Operário Comunista (POC), Luiz Eduardo da Rocha Merlino participou ativamente de mobilizações estudantis e ações clandestinas contra a ditadura militar, no fim dos anos 60. Trabalhava na Folha da Tarde em 1968, quando  cobriu o XXX Congresso da UNE em Ibiúna, em que cerca de setecentos  estudantes foram presos. Em 1971, quando foi para a França participar do 2º Congresso da Liga Comunista, organizou junto de outros dois jornalistas - Bernardo Kucinski e Ítalo Tronca - uma das primeiras obras de denúncia sobre o uso da tortura contra prisioneiros políticos no Brasil: Pau de Arara - La violence militaire au Brésil.
Alguns dias após seu regresso, foi preso na casa de sua mãe em Santos, por agentes do DOI-Codi. Luiz Eduardo Merlino disse a sua mãe “Eu volto logo”. Morreu alguns dias depois, aos 23 anos de idade, vítima da tortura infligida por agentes do Estado brasileiro.

 

Nas novas certidões de óbito  que se entregaram à  Angela Almeida, companheira de Merlino, e a Gregório Gomes da Silva, filho de Virgílio consta que os dois morreram “em razão de morte não natural, violenta, causado pelo Estado brasileiro”.

 

É um grande passo para as famílias, mas é um gigantesco passo para história do Brasil, disse, emocionado, Gregório Gomes da Silva, filho de Virgílio. Ele tinha apenas dois anos quando o pai foi preso. Nós também somos procuradores de Justiça. Somos colegas dos senhores, brincou Gregório, lembrando que sua família busca a verdade e justiça desde o dia em que o sindicalista foi capturado. 

Ângela de Almeida, viúva de Merlino, classificou a retificação da certidão de óbito do jornalista como uma vitória. A tortura desumaniza a sociedade, advertiu Ângela.

 

Este importante e simbólico ato contou com a presença do subprocurador-geral de Justiça de Políticas Criminais e Institucionais, Dr. Mário Sarrubbo, , do promotor de Justiça de Direitos Humanos Dr Eduardo Valério que conduziu a cerimônia , da Dra   Eugênia Gonzaga, procuradora regional da República, do   subprocurador-geral de Justiça Jurídico, Wallace Paiva Martins Júnior e da Ana Amélia Mascarenhas, vice-presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB/SP, além de uma centena de militantes e ativistas da área de defesa dos direitos humanos.


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